Demanda por material de construção seguirá forte até 2023, aponta Duratex

O bom desempenho do setor de material de construção deverá persistir nos próximos anos, avalia o presidente da Duratex, Antonio Joaquim de Oliveira, convidado da Live do Valor desta segunda-feira. “Não vejo um arrefecimento dessa demanda. Acredito que 2021, 2022 e, possivelmente, 2023 serão anos fundamentalmente bons para o setor”, disse.
 
Hoje, os bons resultados da Duratex, que está com suas fábricas com nível máximo de produção, se devem principalmente à onda de reformas, decorrente da pandemia e do home office. Porém, ainda há pela frente uma onda de demanda decorrente do “boom” de lançamentos da construção civil.
 
“Ainda vamos aproveitar o ‘boom’ de lançamos visto no ano passado e que voltou com força no primeiro trimestre. Nossos produtos são o ‘last mile’ da cadeia, então devemos ver o impacto no fim do ano que vem, talvez em 2023. Neste momento, estamos vivendo o ‘boom’ das reformas. Hoje 80% da venda é por isso”, afirmou o executivo.
 
“Continuo otimista com as perspectivas de curto e médio prazo do nosso setor. Algumas condições indicam um cenário de demanda bastante favorecido. A primeira delas é a de juros baixos. A tendência é que os juros permaneçam baixos, ainda que haja alguma elevação, mas os juros ainda devem seguir em patamares baixos. Além disso, é uma tendência mundial, temos juros baixos na Europa, nos Estados Unidos. Esse aquecimento é um fenômeno mundial, não só brasileiro”, disse Oliveira.
 
Acomodação de custos
O forte aumento de custos, principalmente de commodities, deverá desacelerar no segundo semestre, avalia. Na visão do executivo, ainda haverá alguns reajustes, mas pontuais.
 
“O preço elevado das commodities é um reflexo da demanda grande. Tivemos preços extremamente deprimidos nos últimos cinco anos. Poucas empresas do nosso setor conseguiram repassar toda a carga inflacionária. Em 2020 conseguimos recuperar preços de maneira importante. Ainda vão existir necessidades de ajustes, tanto em madeira, Deca, revestimentos cerâmicos, mas já os caracterizo como menores”, disse.
 
“No segundo semestre, começa a haver um arrefecimento dessa inflação, com uma menor necessidade de repasse de custos. Hoje os preços estão em patamares bons, precisa de correções pontuais e há espaço para que isso ocorra, porque a demanda continua muito forte”, afirmou.
 
O presidente da Duratex não acredita que haverá blecaute no Brasil, mas certamente os preços irão subir, disse, em decorrência do cenário de energia elétrica no país. “Acredito que não deverá ter blecaute, o que vai existir com certeza é uma inflação em custos de energia, porque o sistema vai operar com térmicas e outras alternativas. Isso vai levar a um incremento de custos.”
 
No caso da companhia e do segmento industrial, porém, ele avalia que o impacto é menor, porque as empresas trabalham com contratos de fornecimento de longo prazo, com preços fixos. “Em nosso caso, 90% da demanda é contratada a longo prazo e não no mercado ‘spot’. Então preços estão fixos. Sob o ponto de vista de custo, não deverá ter impacto tão significativo. A população vai ter impacto, nós não”, disse.
Pandemia
 
Para o presidente da Duratex, o governo federal conduziu de forma muito fraca e confusa a crise sanitária da covid-19.
 
“Avalio que a condução do governo federal nessa pandemia foi muito fraca, difícil, hesitante, confusa. Precisamos engrenar, estamos vacinando muito pouco, é preciso tomar ritmo. A solução está na vacinação”, disse.
 
“Infelizmente há uma politização do tema. Espero que a gente possa acelerar a vacinação tendo uma visão baseada em ciência, naquilo que de melhor a gente pode oferecer”, completou.
 
A Duratex ainda não deverá tomar uma decisão sobre como ficará o regime de trabalho dos funcionários. “Só vamos decidir sobre o ‘ home office’ quando acabar a pandemia”, afirmou o executivo.
 
“Acreditamos muito no trabalho presencial. Esse período deverá trazer novos modelos. Pode ser que algumas áreas possam trabalhar remotamente, é bem possível, mas vamos ter que evoluir no Brasil com legislação para isso. Nossa legislação não está preparada”, disse ele.
Como exemplo, citou casos de acidentes sofridos por funcionários em casa, durante o expediente, e que são considerados acidentes de trabalho.